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Entrevista com Júlio Nogueira - Montanhista e Geógrafo Paranaense.

Quem já escalou no Paraná, com certeza já ouviu falar ou já escalou alguma via conquistada por Júlio Nogueira. Nosso entrevistado de hoje iniciou sua trajetória na escalada em 1979 e continua até hoje na ativa. Conhecido por ser uma fonte de inspiração, histórias e betas, sempre está disposto a nos orientar, confraternizar e formar cordadas. Confira a seguir a entrevista e fotografias cedidas gentilmente pelo mestre Júlio para o Blog Escalada Urbana CWB, onde ele nos conta um pouco sobre sua trajetória na escalada e também sobre a escalada urbana:


- Falando um pouco sobre você, quem é Júlio Nogueira, onde nasceu, formação e o que faz atualmente?


"Eu sou Montanhista e Geógrafo, nasci em Curitiba em 1963, hoje em dia me dedico ao Estacionamento Baitacão do Anhangava e apoio de consultoria para Montanhistas Escaladores em Rocha."


- Como foi seu início na escalada e quais são seus locais preferidos para escalar?


"Iniciei no CPM (Clube Paranaense de Montanhismo) em 1979 e prefiro escalar na Serra do Mar."

Júlio e seu filho Pedro escalando a via Mônica no Morro do Anhangava. Foto: Fábio Lima.


- Uma via ou boulder de escalada que você gostaria de compartilhar ou que você considera uma grande conquista:


"Todas foram muito legais mas se fosse destacar: Ilusionista (Marumby), Fogo Interior (Morro Sete), Vinde a Mim os Top Team, Dragão Refogado (Anhangava), Explosão de Mente (Ferro de Passar Roupas/RJ); Boulders: Lance do Peixe (Ilha do Mel), Melhor Deixe (Anhangava); Travessias: Subidas do litoral ao Planalto pelo Agudo do Cotia e Ciririca."


- Qual a sua relação com a escalada urbana e como tudo começou?


"Na realidade não havia este conceito de escalada urbana, apenas tínhamos um impulso natural de escalar tudo que estava em nossa frente. Os muros, paredes com ressaltos, prédios com chaminés, batente de portas, viadutos, praças e as magníficas obras de Poty Lazarotto, principalmente da praça 29 de março. Também as pedreiras Leminski, Gava, Atuba e Tanguá eram points que ocupávamos para escalar. O interessante são as características das estruturas urbanas, as pedreiras tinham mais aspecto de montanha, as edificações e praças sempre foram mais técnicas com maior variedade de movimentos, alguns bem difíceis."


Júlio escalando o mural "Quatro Estações" de Poty Lazzarotto em edifício de Curitiba-PR. Foto: Silvio Caliman.


- Quais foram seus parceiros na escalada urbana?


"Meu parceiros mais assíduos na época, eram o José Luiz Hartmann (Chiquinho) e eventualmente o Bito Meyer também dava uns pegas duros por lá, posteriormente escalei com o André Lima (Minhoca). Com o tempo o pessoal foi chegando e todos que escalavam iam na praça, a maioria ainda era do CPM. Vou arriscar alguns nomes daqueles tempos (meados de 1984/1989), talvez falhe alguém e me desculpo por isso: Francisco Cruz Neto (Chicão), Ivan Verissimo, Byraci, Rafael Curial, Dalio Zipin, Dino Almeida, Halpsing, Cassio, Soninha, Glaucio Tofu, Tilla, Snakinho, Batatinha, Camelo, Ney Manco, Renato Kalinowski, Mauro Marques, Lucio Flávio, Kavinha, Danilo Toso (morava na frente da praça), Andreia Zippin, Nativo, Rossana, Fabio, Juca Canteli, Domingos Alvarez, Fausto Alvarez, Mauricio Camarão, Biju e entre outros..."


- Em quem vocês se inspiravam na época e qual foi o escalador brasileiro que você viu escalar que considera estar entre os melhores ?


"Nos inspirávamos nas “escolas” Americanas e da Europa (USA, França, Inglaterra, Alemanha) no Brasil tivemos ótimos escaladores, eu gostava de ver o Paulo Bastos (Paulo Macaco) e também o Dubois escalava muito bem."

Júlio escalando o painel do artista Poty Lazarotto na Praça 29 de março. Foto: Acervo pessoal.


- Como eram feitas as aquisições dos equipamentos de escalada e como vocês realizavam a segurança ?


"Houve fases, no primeiro momento nós construíamos os equipamentos com o material que tínhamos, posteriormente começaram as primeiras importações, André Ilha nos ajudou bastante e em 1986 comprei a minha primeira Fire Boreal. A segurança no começo era no couro, com a corda passando pelo corpo e também com o nó UIAA, depois surgiu o aparelho 8 e começamos a dar seg com ele."


- Qual a maior barreira que vocês encontravam entre as décadas de 80 e 90 para poder praticar a escalada urbana?


"Com certeza a rejeição dos donos dos muros e os policiais nos ambientes particulares, aquilo não era bem visto por eles."

Julio escalando o monumento do Apito na Praça 29 de março. Foto: Acervo pessoal.


- Fale um pouco sobre as apresentações e campeonatos que houve no passado:


"Creio que só houve competição de escalada URBANA propriamente dita, no Hotel Paraná Suite (nome na época) em Curitiba, organizado pelo Domingos Alvarez. Não me recordo de ter participado de apresentações, somente nos campeonatos indoor que por aqui fizeram sucesso, chegando a atingir publico com mais de mil pessoas, todos organizados pelo Francisco Cruz Neto (Chicão) que na época foi a pessoa que mais se dedicou em organizar os eventos, muitas vezes enfrentando prejuízos, mas com certeza seus campeonatos foram sempre bem organizados. Houve outros também no Rio de Janeiro, organizados por Bruno Menescal entre outros. Lembrando também que os primeiros eventos foram organizados por Clubes de Montanhismo, no nosso caso em 1985 pelo CPM no Morro Anhangava."


- Qual a sua opinião sobre a escalada urbana, você acha que a mesma pode ajudar na democratização do esporte?


"Creio que a Escalada Urbana nos dias atuais tende a se consolidar como um ramo da escalada em nosso território, isto é muito bom por dar atividades sadias para a juventude urbana, não há dúvidas que o esporte pode ajudar a consolidar este fato."


- Qual o recado que você deixa para quem está começando a escalar?

"ESCALEM!"


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A equipe Escalada Urbana CWB gostaria de agradecer Júlio Nogueira pela entrevista para o blog e por toda a contribuição feita para a escalada paranaense durante todos esses anos. Bons ventos!

“A escalada é um esporte que oferece riscos, sendo uma atividade inerentemente perigosa por isso, orientamos a quem gostaria de praticar essa atividade, que procure estar com pessoas experientes para receber instruções de segurança. Uma escalada é segura quando realizada com procedimentos e técnicas adequadas. Para aqueles que possuem interesse em começar a praticar, sempre procurem ginásios de escalada indoor, clubes de montanhismo ou agências de turismo de aventura que tenham profissionais qualificados que disponibilizam cursos de escalada tanto indoor como para a prática na rocha, sendo possível utilizar as técnicas em espaços urbanos. Vale ressaltar que cada um é responsável por si mesmo e pelos seus parceiros.”

Curitiba PR   -   escalada_urbana_cwb@outlook.com   -   (41) 99898-1801

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