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Entrevista com Domingos Alvarez - Organizador de Campeonatos de Escalada Urbana nos anos 90.

Já imaginou um campeonato de escalada em velocidade acontecendo na fachada de um prédio no centro de Curitiba-PR? Pois então, hoje entrevistamos o escalador Domingos Gomez Alvarez, organizador do I e II Campeonato Brasileiro de Velocidade em Escalada Urbana que ocorreram em uma das principais obras de Poty Lazzarotto, o mural "Quatro Estações", na década de 90. A obra possui 37 metros de altura e compõe a fachada do Hotel Nacional Inn, antigo Hotel Paraná Suíte.

De acordo com o regulamento fornecido por Domingos, segue trecho de como as competições foram realizadas: "Os escaladores serão chamados sucessivamente para escalarem a parede nordeste do Hotel Paraná Suite, que possui aproximadamente 35 metros e estará previamente demarcada, o mais rápido que puderem enquanto dois cronometristas formarão seu tempo. Vencerá o que for mais rápido."

Confira a seguir nossa entrevista com Domingos, onde ele conta um pouco sobre os campeonatos em si, além de compartilhar suas experiências na escalada em rocha e urbana.


- Falando um pouco sobre você, quem é Domingos Gomez Alvarez e o que faz atualmente?


"Nasci em Curitiba, sou formado em Direito, tenho 3 filhas e atualmente sou servidor público."


- Como foi que você conheceu a escalada?


"Desde criança sempre escalei muros, árvores e telhados. Comecei a frequentar a serra do mar através de um amigo de um irmão mais velho em 1982, primeiramente no Salto dos Macacos e logo em seguida conhecemos a trilha para o Olimpo que escalávamos quase todo final de semana. A primeira vez que tive contato com a escalada técnica foi em 1985, ano em que meu colégio foi fazer uma atividade de reflorestamento no Anhangava, pois naquele ano sofrera um enorme incêndio. Fiquei fascinado ao ver pessoas escalando a via Escoteiros e junto com um amigo de infância comecei a escalar com o pessoal do CPM e daí em diante, passei a acampar no mocó das moças, lá no Anhangava, todos os finais de semana. Evolui muito rápido e em 1987, já escalava 7º grau, a graduação mais difícil da época e fazia em solo a maioria das vias do morro daquele tempo."

Escalador em ação no mural "Quatro estações". Foto: Milton Piffer.


- Houve algum tipo de barreira quando você começou a escalar?


"Sim, minha família não aprovava e me faltava equipamentos e dinheiro. Nossas primeiras cadeirinhas eram feitas com fita de cinto de segurança de automóveis e nossas sapatilhas eram os tênis Kichute com as travas cortadas e o solado eram de colarinho de pneus de caminhão. Durante anos meu equipamento eram 3 fitas, 2 mosquetões e uma corda de amarrar carga de caminhão."


- Falando sobre a escalada urbana, como que foi introduzida na sua vida?


"Como não havia academias, nem muros de escalada, treinávamos durante a semana na praça 29 de março e no muro do hospital de clínicas, além de outros muros de pedra em casas particulares. Muitas vezes tomávamos dura da polícia que pensava que escalávamos para roubar residências, e também desconfiavam que nosso magnésio era cocaína."

Júlio Nogueira escalando o mural "Quatro Estações". Foto: Silvio Caliman.


- Como surgiu a ideia de organizar competições de escalada na década de 90, em uma época que o esporte não era tão conhecido pela população?


"Os primeiros campeonatos de dificuldade, foram os dois sul-americanos realizados pelo Chicão, que desde aquela época já vivia do montanhismo, em 1989 e 1990, já com muro de maderite e agarras artificiais, realizados no palácio de cristal do Circulo Militar."


- Como surgiu a ideia de realizar as competições no Painel “Quatro Estações” do artista Poty Lazzarotto, no antigo Hotel Paraná Suite?


"Fui procurado por uma ex namorada, cuja irmã era casada com o filho da dona do hotel. Conversei com a gerente de marketing do hotel que me pediu uma sugestão de evento na fachada com o painel do Poty, pois alguns anos antes o Waldemar Niclevicz, escalara aquela parede para se promover e angariar patrocinadores para sua expedição ao Everest e isso gerou grande visibilidade ao Hotel. Como um campeonato de escalada de dificuldade em uma parede com “agarras” fixas é inviável, sugeri um campeonato de velocidade contra o relógio, pois teria um apelo muito mais emocionante junto ao público leigo. E foi realmente um sucesso, conseguimos primeira página nos maiores jornais do Brasil e tb houve muito destaque nos telejornais e programas esportivos."

Fotografia de acervo de Domingos Alvarez.


- Quais foram os apoios que você teve para organizar essas competições além da liberação do espaço ?


"Tive apoio financeiro e logístico por parte do Hotel, mas a maior parte do financiamento veio da venda de cotas de patrocínio."


- Além de organizar os campeonatos você chegou a competir?


"Não, como para montar o campeonato e abrir as vias eu escalei várias vezes a parede, achei que não seria justo que eu participasse e, como os atletas não ficavam concentrados, eu escalava por primeiro como demonstração para que o primeiro escalador não ficasse em desvantagem por não ver ninguém escalar antes dele."

Fotografia de acervo de Domingos Alvarez.


- Qual era o seu maior objetivo com a organização das competições?


"O objetivo era organizar mais um festival, para os escaladores se divertirem e também divulgar a escalada urbana que eu já vislumbrava como uma nova modalidade de escalada."


- Com relação aos competidores, quem você mais admirava de ver escalando?


"Ninguém em particular, mas admirava muito ver as mulheres escalando, pelo estilo leve e elegante de algumas delas."

Fotografia de acervo de Domingos Alvarez.


- Hoje em dia você tem feito algo relacionado a escalada?


"Sempre que saio de férias vou para montanha, pois meu estilo preferido é a escalada tradicional."


- Qual a sua opinião sobre a escalada urbana, você acha que a mesma pode ajudar na democratização do esporte?


"Acho bacana uma bela maneira de se divertir descompromissadamente, sem dúvida ajuda na divulgação do esporte."


- Qual o recado que você deixa para quem esta começando a escalar?


"Escale respeitando seus companheiros e o meio ambiente e na cidade, se for escalar em propriedade particular, peça autorização."


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Fonte: https://prediosdecuritiba.com.br/as-escaladas-urbanas-no-grande-mural-de-poty-lazzarotto/



“A escalada é um esporte que oferece riscos, sendo uma atividade inerentemente perigosa por isso, orientamos a quem gostaria de praticar essa atividade, que procure estar com pessoas experientes para receber instruções de segurança. Uma escalada é segura quando realizada com procedimentos e técnicas adequadas. Para aqueles que possuem interesse em começar a praticar, sempre procurem ginásios de escalada indoor, clubes de montanhismo ou agências de turismo de aventura que tenham profissionais qualificados que disponibilizam cursos de escalada tanto indoor como para a prática na rocha, sendo possível utilizar as técnicas em espaços urbanos. Vale ressaltar que cada um é responsável por si mesmo e pelos seus parceiros.”

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